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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O PATO DA FIESP ERAM OS PRÓPRIOS INDUSTRIAIS...


Depois de apoiar ativamente a derrubada da presidente Dilma Rousseff (PT), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) encerrou 2016 com resultados catastróficos, com quedas em todos os pontos da pesquisa "Indicadores Industriais". O faturamento foi o indicador com a maior queda no ano passado. Ele retrocedeu 12,1% na comparação entre 2015 e 2016. Os indicadores de produção também tiveram um forte recuo no ano, com uma queda de 7,6% nas horas trabalhadas e 7,5% no nível de emprego. A comparação é com 2015. "Os dados do mercado de trabalho continuam negativos, isso é um indicador da capacidade de compra dos trabalhadores e mostra dificuldade da economia retomar seu crescimento", diz o gerente-executivo de política econômica, Flavio Castelo Branco.


As informações são de reportagem de Lucas Marchesini no Valor.
"Castelo Branco destacou que 'a grande ociosidade no parque industrial significa taxa de rentabilidade muito baixa ou negativa, o que é impeditivo não só da retomada do investimento como fragiliza a sua situação financeira'. Na passagem de novembro para dezembro, os indicadores subiram 1% e 0,2%, respectivamente.
A alta no nível de emprego foi a primeira depois de 23 meses consecutivos de recuo, destacou Castelo Branco. Apesar disso, os indicadores de renda na indústria caíram tanto entre novembro e dezembro quanto na comparação entre 2015 e 2016. O ano terminou com recuo de 1,6% na massa salarial e queda de 1,2% no rendimento médio. No ano, o recuo foi de 8,6% para a massa salarial e 1,2% para o rendimento médio real. Os dados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), por sua vez, teve uma queda entre novembro e dezembro na série dessazonalizada, ao passar de 76,4% para 76%. "A UCI terminou 2016 no menor nível histórico, indicativo de grande folga que existe na indústria, o que é limitador da retomada de investimento", diz o economista."

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sábado, 21 de janeiro de 2017

"ACORDÃO" PODE REPRESENTAR A DESMORALIZAÇÃO DO PT E PCdoB...





Os dois partidos que foram mais aguerridos contra o golpe de Estado que culminou com a deposição da presidente eleita Dilma Rousseff, o PT e o PCdoB, tendem a perder muitos filiados se confirmarem apoio à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ), na Câmara, e à eleição de Eunício Oliveira (PMDB-CE), no Senado, como sinalizam as respectivas direções partidárias.
Dirigentes petistas e comunistas contrários ao “acordão” confidenciaram ao Blog do Esmael o temor com uma possível debandada em ambas as agremiações, caso realmente elas apoiem os golpistas no Congresso no dia 2 de fevereiro.
Segundo o TSE, o PCdoB tem 392 mil filiados e o PT tem 1,6 milhão em todo o país.
O PSOL seria o destino mais provável para filiados “desgostosos” com o PT e o PCdoB. Mas a avaliação é que uma penca de petistas e comunistas fique numa espécie de “purgatório”, sem filiação partidária, como ativistas sociais em frentes de luta.
Como reflexo desse descontentamento com a política de “esquerda” pró-golpistas, nas direções das mesas da Câmara e do Senado, há uma crescente desmobilização da militância petista já sentida na convocação para o 6º congresso nacional em abril, que é precedida de uma eleição interna nas instâncias inferiores (estaduais e municipais).
Dos cerca de mil diretórios municipais em todo o país, apenas 66 estariam aptos a participarem do Processo de Eleição de Delegados (PED) deste ano de 2017. Em virtude disso, o PT decidiu dilatar os prazos para as regularizações.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

TEMER ESTÁ PROMETENDO EMPREGOS...MAS ONDE?





Como será possível reempregar mais de 15 milhões de pessoas ?

Como será possível recuperar empresas que faliram ?

Como será possível empregos com a economia na lona ?

Como empregar tantos milhões ?

Será que Temer acha que somos ingênuos ?

247 – De cada três desempregados no mundo em 2017, um será brasileiro. Ou seja: mesmo tendo 3% da população mundial, o Brasil provocará 33% das demissões globais (leia aqui).
Além disso, o governo federal atrasou a parcela de janeiro dos brasileiros que perderam o emprego no fim do ano passado (leia aqui).
Apesar desses números catastróficos, Michel Temer concedeu entrevista à Reuters e se disse focado na recuperação dos postos de trabalho.
Em tempo: 1,2 milhão de brasileiros serão demitidos neste ano, segundo a OIT.
Leia abaixo a entrevista de Temer:

Por Lisandra Paraguassu e Anthony Boadle
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira que sua maior preocupação é com o desemprego, mas admitiu que a retomada das contratações pode demorar, já que, mesmo com a esperada recuperação da economia, as empresas têm capacidade ociosa a preencher antes de retomarem contratações.
"Nós temos que nos ater muito à questão do desemprego, essa é a principal preocupação, e isto significa o crescimento da economia", afirmou o presidente em entrevista à Reuters no Palácio do Planalto. No trimestre encerrado em novembro, último dado disponível, a taxa de desemprego do país estava em 11,9 por cento, atingindo um recorde de 12,1 milhões de pessoas.
Otimista, Temer aposta em uma retomada do crescimento econômico no segundo semestre deste ano, mas admite que não deve haver um retorno das contratações no mesmo ritmo.
"Acho que este ano o país cresce a partir do segundo semestre", disse. "Mas não vamos também nos iludir que logo agora vamos ter a solução para todos os problemas, por uma razão muito singela: muitas empresas demitiram, mas muitas mantiveram sua capacidade ociosa."
"Então, quando se retoma o crescimento, num primeiro momento as empresas passam a usar essa capacidade ociosa, o trabalhadores que estão lá, e depois começam as contratações", acrescentou.
"É muito provável que ainda neste semestre a capacidade ociosa das empresas seja utilizada por elas, mas nós pensamos que, a partir do segundo semestre ou de meados do segundo semestre, o desemprego já comece a diminuir e o crescimento venha de uma vez."
Projeções divulgadas nesta segunda-feira apontam para um PIB positivo este ano. O Fundo Monetário Internacional divulgou nesta segunda-feira uma estimativa de crescimento de 0,2 por cento, menor do que a previsão anterior, de 0,5 por cento. Já o relatório Focus do Banco Central, também desta segunda mantém a projeção de expansão em 0,5 por cento. O governo trabalhava com um crescimento em torno de 1 por cento, depois de dois anos seguidos de quedas significativas.
Em dezembro, os indicadores de confiança dos setores da construção, de serviços e da indústria, além dos consumidores, recuaram para o menor patamar desde meados de 2016.
Apesar destes números e da previsão de um baixo crescimento este ano, Temer nega que a retomada econômica esteja demorando mais do que o esperado.
"Discordo que está demorando, estamos aqui há a sete, oito meses e já tomamos muitas medidas. Na verdade, estávamos numa recessão profunda e o primeiro passo é sair da recessão. Você só tem crescimento fora da recessão."
O presidente cita, ainda, a queda na inflação e a redução dos juros como uma vitória da política econômica do governo.
"Quando chegamos aqui a inflação anunciada era de 10,7 (por cento), caiu para 6,29 (por cento).Então em seis meses caiu para 6,29 a inflação. Em um segundo ponto, já fizemos duas reduções dos juros, que baixaram 0,50 ponto em um primeiro momento e agora, até para a surpresa de muitos, 0,75 ponto", disse. "Quando você reduz a possibilidade de uma inflação mais alta tem chance de reduzir os juros."
O presidente, que assumiu interinamente o comando do país em maio e definitivamente no final de agosto do ano passado, referiu-se à inflação de 2015, que foi de 10,67 por cento, e a de 2016, que ficou em 6,29 por cento. Sobre os juros, ele citou as duas reduções de 0,25 ponto percentual na taxa básica pelo Banco Central, além do corte de 0,75 ponto realizado na semana passada.
REFORMAS
O governo, disse Temer, está encontrando formas de injetar recursos na economia, como a liberação de contas inativas do FGTS e a redução dos juros do cartão de crédito, e está trabalhando pelas reformas, que são sua prioridade.
O presidente admite que as reformas propostas são difíceis, especialmente a da Previdência, e que protestos devem acontecer, mas que a oposição não é à reforma como um todo, mas a alguns pontos. De acordo com o presidente, o governo aceita negociar alguns temas, mas a idade mínima de 65 anos está fora de questão.
"Evidentemente, o caso da idade fica difícil você negociar. A idade é fundamental para esta reforma", afirmou. O governo aceita negociar outros pontos polêmicos que já foram citados por líderes no Congresso como difíceis de serem aprovados. Entre eles, a desvinculação do Benefício de Prestação Continuada --pago a pessoas com deficiência-- do reajuste do salário mínimo e a necessidade de contribuição de 49 anos para que o trabalhador receba o valor máximo da aposentadoria.
"Em vários países a regra tem sido essa. Você não ganha aposentadoria integral, ganha uma aposentaria parcial. Mas isso vai ser debatido lá. Se o Congresso decidir de outra maneira, tem que se cumprir", disse.
Temer garantiu que a reforma da Previdência, que começará a ser discutida a partir de fevereiro em uma comissão especial, será aprovada este ano. E defendeu ainda a discussão da reforma trabalhista, também já apresentada pelo governo.
"Este é um governo de reformas e sendo um governo de reformas é um governo preparatório para o governo que virá em 2018", afirmou.
Temer voltou a negar que possa ser candidato à reeleição em 2018, mesmo que consiga recuperar a economia e seu partido, o PMDB, peça que aceite o encargo.
"Eu espero apenas cumprir essa tarefa e deixar que meu sucessor possa encontrar um país mais tranquilo", disse.
Não nega que o PMDB possa apresentar um nome, mas afirma que é "muito cedo para isso" e lembra que tem uma base ampla, de onde pode sair mais de um candidato. Mas previu que a discussão só virá à luz, "lá por maio do ano que vem".
Em um ano que deve trazer à tona mais delações premiadas da operação Lava Jato, que podem atingir diretamente a base do governo, o presidente tentou não mostrar preocupação com os efeitos que as denúncias possam ter sobre sua administração.
Ao ser questionado se há possibilidade das investigações desestabilizarem seu governo, respondeu: "Zero. Não há a menor possibilidade disso."
As informações das delações da empreiteira Odebrecht reveladas até agora apontam para diversos acusados de irregularidades, incluindo alguns nomes próximos a Temer, entre eles o ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Wellington Moreira Franco. Todos negam envolvimento.
No cenário internacional, Temer descartou que o governo possa ter dificuldades com o mandato do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Para o presidente, as relações entre os países são institucionais.
Disse ainda que, embora Trump não tenha assumido, até o momento não está vendo "nenhum gesto que comprometa o investimento norte-americano aqui no Brasil".
(Com reportagem de Maria Pia Palermo e Daniel Flynn)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

FALOU A VERDADE E FOI DEMITIDO DE AFILIADA DA GLOBO NO AMAZONAS



Por Anderson Scardoelli, do Comunique-se - “Desse governo nada mais me assusta”. Um dia depois de fazer esse comentário direcionado ao governador do Amazonas, José Melo (Pros), o jornalista Clayton Pascarelli foi demitido da Rede Amazônica, afiliada da TV Globo em boa parte da região Norte do país. A frase foi ao ar durante a edição de terça-feira, 3, do ‘Bom Dia Amazônia’. Na manhã de quarta, 4, já sem apresentar o noticiário que comandava desde janeiro de 2013, o comunicador recebeu a notícia de que estava fora dos planos da emissora.
Horas depois de ser comunicado de que não era mais funcionário da empresa de comunicação, Pascarelli usou a fan page que administra para comentar a oportunidade de trabalho que durou 11 anos, com ele começando como estagiário e passando pelas funções de produtor e repórter antes de se tornar um dos âncoras do canal. Em seu post, o jornalista pontua que sempre teve a emissora com a sua casa e fez questão de agradecer aos fundadores da emissora: Milton Cordeiro e Phelippe Daou, que morreram em 2016. “Agradeço imensamente […] pela isenção, credibilidade e liberdade que me deram”.
Apresentador confirmou publicamente que estava fora da afiliada da TV Globo (Imagem: Reprodução/Facebook)
Em seu posicionamento a respeito da saída da Rede Amazônica, o jornalista não cita a possibilidade de a demissão ter algum tipo de ligação com o comentário feito ao vivo. A relação da frase dita na terça com a dispensa foi levantada primeiramente pelo site Parintins 24 horas, que chegou a repercutir que o público usou as redes sociais para demonstrar apoio ao profissional que perdeu o emprego – o nome do comunicador chegou a ocupar os trending topics, lista dos termos mais comentados no Twitter.
Funcionários da empresa manauara ouvidos pelo Portal Comunique-se reforçam a ideia de que a decisão de demitir Pascarelli tem a ver com a frase soltada durante o ‘Bom Dia Amazônia’. Os profissionais que conversaram com a reportagem – e que por razões óbvias pediram para que seus nomes não fossem divulgados – relataram que o diretor e um dos sócios da Rede Amazônica, Aluísio Daou, chegou à redação gritando que seu telefone não parava de tocar “por causa do comentário do apresentador”, disse uma das fontes que garante ter presenciado a cena.
Com a história, a reportagem do Portal Comunique-se tentou falar com o diretor de jornalismo da Rede Amazônica, Luís Augusto Pires Batista, mas foi avisado que ele está de férias. Por e-mail, a gerente de jornalismo do canal, Ercilene Oliveira, informou que a empresa ainda “irá se pronunciar oficialmente sobre o assunto”. No contato eletrônico, a reportagem questiona os motivos que levaram a emissora a demitir o jornalista e se tal decisão tem a ver com o comentário disparado contra o governo amazonense.
Demitido pode virar concorrente
Formado em comunicação social e pós-graduado em jornalismo investigativo pela ESPM do Rio de Janeiro, Pascarelli estava na Rede Amazônica desde 2006. Agora, fora da afiliada da Globo, ele pode acabar por se tornar um concorrente direto da emissora. Informações dão conta que o comunicador já recebeu proposta da TV A Crítica, afiliada da Record que tem planos de dar a ele o comando da nova versão local do ‘Cidade Alerta’, que está para ser implementada. Ainda sem acertar seu futuro na imprensa, o apresentador segue como conselheiro fiscal da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Manaus em pauta pelo mundo
A demissão de Pascarelli acontece na semana em que o governo comandado por José Melo se vê em meio à matança propagada por facções nos presídios do estado. A guerra prisional entre a Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) tem chamado a atenção da imprensa nacional, que tem enviado equipes para Manaus, e até da mídia estrangeira, que, conforme o Portal Comunique-se registrou ao reproduzir notícia da Agência Brasil, repercutiram o caso que resultou em mais de 60 detentos assassinados.

domingo, 25 de dezembro de 2016

PADILHA DERRUBA TEMER SOBRE OS 10 MILHÕES DA ODEBRECHT



Em entrevista à jornalista Simone Iglesias, do Globo, publicada neste domingo 25, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, confirmou o jantar que ocorreu no Palácio do Jaburu para que o então vice-presidente Michel Temer pedisse recursos à Odebrecht para o PMDB.
"Houve o jantar. O presidente já relatou, e eu faço minhas as palavras dele, em que ele pediu, se fosse possível, qeu se ajudasse a campanha do PMDB. Houve o auxílio. Os recursos foram registrados por depósitos bancários, foi feita a prestação de contas, e as contas foram aprovadas pelo TSE", declarou.
Sobre os R$ 4 milhões que, segundo o ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho teriam ficado com Padilha, para que redistribuísse - R$ 1 milhão era de Eduardo Cunha -, o ministro diz: "Eu, pessoalmente, não era candidato. Não pedi e não recebi dinheiro de ninguém".
Padilha afirma ainda ter "mais do que apoio" de Temer para ficar no cargo. "Eu tenho tido estímulo, eu tenho tido de parte dele as melhores manifestações de aposta na eficácia do trabalho da Casa Civil. Então, me sinto absolutamente à vontade".
Em sua delação, Cláudio Melo Filho declarou, em referência ao Jaburu: "Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião".
Confira a íntegra de seu relato sobre o jantar:

Eu participei de um jantar no palácio do Jaburu juntamente com Marcelo Odebrecht, Michel Temer e Eliseu Padilha. Michel Temer solicitou, direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as Campanhas do PMDB no ano de 2014. O jantar ocorreu possivelmente no dia 28 de maio de 2014, para o qual fui no carro da empresa (Toyota Corolla cinza – Placas dos carros da empresa: JIZ 0228, PAZ 4158 e PAZ 4159), conduzido por Carlos Eduardo, cuja placa é . Há chamada telefônica destinada ao celular de Eliseu Padilha, às 20h16min no dia de realização do jantar.
Chegamos no Palácio do Jaburu e fomos recebidos por Eliseu Padilha. Como Michel Temer ainda não tinha chegado, ficamos conversando amenidades em uma sala à direita de quem entra na residência pela entrada principal. Acredito que esta sala é uma biblioteca. Após a chegada de Michel Temer, sentamos na varanda em cadeiras de couro preto, com estrutura de alumínio.
No jantar, acredito que considerando a importância do PMDB e a condição de possuir o Vice-Presidente da República como Presidente do referido partido político, Marcelo Odebrecht definiu que seria feito pagamento no valor de R$ 10.000.000,00. Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião.
Inclusive, houve troca de e-mails nos quais Marcelo se referiu à ajuda definida no jantar, fazendo referência a Temer como "MT".

Michel Temer, em uma oportunidade, esteve disponível para ouvir tema de interesse da Odebrecht. Este foi o caso de uma viagem institucional que seria realizada por Michel Temer a Portugal, país em que a Odebrecht tem atuação. Entreguei nota a Michel Temer sobre a atuação da companhia em Portugal. Esse exemplo deixa claro a espécie de contrapartida institucional esperada entre público e privado.

Do total de R$ 10 milhões prometido por Marcelo Odebrecht em atendimento ao pedido de Michel Temer, Eliseu Padilha ficou responsável por receber e alocar R$ 4.000.000,00. Compreendi que os outros R$ 6.000.000,00, por decisão de Marcelo Odebrecht, seriam alocados para o Sr. Paulo Skaff.
Na parte que me foi designada, pedi a José Filho que mantivesse contatos com Eliseu Padilha para alinhamento da forma de pagamento. Além disso, mantive contatos telefônicos com Eliseu Padilha para tratar do assunto.

Segundo me foi informado por Eliseu Padilha, sei que parte do pagamento foi destinada ao ex-deputado Eduardo Cunha. Reforça este entendimento o fato de Eduardo Cunha, à época do repasse financeiro, ter telefonado diretamente a José Filho e, segundo este me relatou à época, reclamou, de forma rude, pois não havia confirmação do pagamento pela área de operações estruturadas. O valor aproximado foi de R$ 1,0 milhão.
Após José Filho me relatar o ocorrido, transmiti a reclamação de Eduardo Cunha a Hilberto Silva. Da mesma forma, procurei Eduardo Cunha para acalmá-lo e esclarecer que não tinha conhecimento de que o pagamento feito a Eliseu Padilha seria repassado a ele e quais eram os valores que havia sido definidos, pois isso não era determinado pela empresa.
Quero ressaltar que nas vezes que me foi solicitada qualquer agenda com Michel Temer, procurava Eliseu Padilha, que viabilizava os encontros para as demandas da empresa.
No caso em concreto o codinome utilizado pelo setor de operações estruturadas para definir Eliseu Padilha nesta operação financeira foi "Angorá". A título de informação, que reforça a relação de representação entre Eliseu Padilha e Moreira Franco, este último tem o apelido de Gato Angorá. Durante a coleta de dados de corroboração, apurei que um dos pagamentos, que havia solicitado José filho fazer, ocorreu entre 10 de agosto e o final de setembro de 2014 na Rua Capitão Francisco, 90, Jardim Europa, sede do escritório de Advocacia José Yunes e Associados. José Yunes hoje é assessor especial da presidência da República.
4.2 Em outra ocasião, já indicada acima, o Ministro Moreira Franco, em uma reunião na Secretaria de Aviação Civil, em que participaram, além de mim e de alguns integrantes da equipe do Ministro, Paulo Cesena e Luiz Rocha, solicitou que apoiássemos financeiramente o partido dele nas eleições de 2014. Transmiti essa demanda a Benedicto Junior, já que, evidentemente, um pedido de Ministro para realizar um pagamento de dinheiro poderia nos trazer prejuízos em caso de não atendimento ou, ainda, vantagens em caso de atendimento. O fato é que pagamentos ocorreram em razão de um pedido feito por um Ministro de Estado em ambiente institucional e por ocasião de uma reunião de trabalho.

Nessa reunião foram tratados temas relativos ao contrato do Galeão, especificamente a antecipação do início da operação deste aeroporto pela Odebrecht, especialmente nos quesitos:
(i) Reforma de escadas rolantes que estavam quebradas;
(ii) Reforma e limpeza dos banheiros e outros locais insalubres; e (iii) Segurança interna e externa dos usuários do aeroporto.

Posteriormente, Moreira Franco foi substituído por Eliseu Padilha na titularidade de Secretaria de Aviação Civil. Algumas vezes fui cobrado por Eliseu Padilha a respeito do pagamento que havia sido solicitado por Moreira Franco. Novamente transmiti a Benedicto Junior o pedido. Ficou clara a existência de correlação entre a quantia em dinheiro almejada e o cargo de Ministro de Estado ocupado pelas duas pessoas que, em momentos distintos, fizeram o mesmo pedido. O local em que os pedidos foram feitos carrega relevante simbologia que não pode ser desconsiderada, já que acredito ter pesado no momento da definição que coube internamente a Benedicto Junior.
Para corroborar o relato acima, trago, entre outros elementos relevantes (como ligações telefônicas), a programação semanal de pagamentos, que consta data, valor, codinome e, inclusive, local de entrega. Os dados de corroboração são fortes e permitem que a investigação vá muito além daquilo que o simples acesso ao sistema Drousys poderia permitir.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ENTENDA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA PROPOSTA POR TEMER



Os homens e mulheres brasileiros terão de trabalhar por mais tempo para conseguir a aposentadoria, caso a reforma da Previdêncialançada pelo governo Michel Temer seja aprovada no Congresso em 2017.
As novas regras, encaminhadas à Câmara dos Deputados, foram apresentadas nesta terça-feira 6 pelo secretário da Previdência, Marcelo Caetano, em Brasília. Entenda, nas perguntas e respostas abaixo, do que se trata a proposta.
Qual é a regra atual para as aposentadorias?
Há duas regras. A primeira é por tempo de contribuição. Os homens podem se aposentar com qualquer idade após 35 anos de contribuição ao INSS, enquanto as mulheres podem fazê-lo após 30 anos de contribuição, também sem idade mínima.
Há também a aposentadoria por idade. Os homens com 65 anos podem requerer aposentadoria aos 65 anos, desde que tenham ao menos 15 anos de contribuição. As mulheres, por sua vez, podem se aposentar com 60 anos, também com pelo menos 15 anos de contribuição. 
Qual é a proposta do governo?
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 248 exige que o trabalhador, seja homem ou mulher, contribua durante ao menos 25 anos com o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e estabelece idade mínima de 65 anos de idade para ter acesso ao benefício.
Esses fatores precisam ser combinados para que seja possível requerer a aposentadoria. Alcançar os 65 anos com menos de 25 anos de contribuição ou atingir os mesmos 25 anos de trabalho formal antes dos 65 anos de idade não permitirão o acesso à Previdência. 
Isso vale para quem?
Vale para os homens que têm menos de 50 anos e para as mulheres com idade inferior a 45 anos.
E como será possível obter o valor integral da aposentadoria?
Hoje, a aposentadoria integral significa receber o valor total do chamado salário de benefício, que é a média dos 80% maiores salários recebidos desde julho de 1994. Atualmente, esse teto é de 5.189,82 reais. Atualmente, o cálculo para chegar a esse valor é feito com base no Fator Previdenciário ou na chamada regra 85/95, sancionada pelo governo Dilma em novembro de 2015.
A proposta do governo Temer é acabar tanto com o Fator Previdenciário quanto com a regra 85/95, estabelecendo cotas para o acesso à aposentadoria integral.
E o que isso significa? 
Significa que, mesmo contribuindo por 25 anos, o trabalhador não terá direito à aposentadoria integral. Por exemplo, se um trabalhador contribuir com uma média de 2.000 reais durante 25 anos, ele receberá uma aposentadoria de apenas 1.520 reais quando chegar aos 65 anos de idade.
Caso queira receber um valor superior, o brasileiro deverá continuar no mercado formal após os 65 anos ou começar a trabalhar aos 16 anos. Na prática, para ter acesso à média integral do valor contribuído, será preciso trabalhar formalmente por 49 anos. 
Como ficam homens com mais de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos?
Os homens de 50 anos ou mais e as mulheres com 45 ou mais de idade entrarão nas regras de transição. Para esses casos, o governo impôs um outro cálculo para acesso ao benefício. Os trabalhadores deverão trabalhar mais 50% do tempo restante ao que faltava para se aposentar.
Por exemplo: um homem de 51 anos que estava a cinco anos de conseguir o benefício, vai precisar trabalhar 50% a mais do que esse período. Ou seja, os cinco anos da regra anterior mais dois anos e seis meses como "pedágio".
No caso específico desse trabalhador, portanto, ele precisará trabalhar até os 58 anos e 6 meses, em vez de parar aos 56 anos. O mesmo vale para as mulheres, só que a partir dos 45 anos.
A reforma atinge quem já se aposentou?
Não. A reforma da Previdência não vai atingir quem já se aposentou ou já alcançou as regras atuais para ter acesso ao benefício. Além disso, não serão modificadas, por enquanto, as regras de aposentadoria de militares.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

REFORMA DA PREVIDÊNCIA DE TEMER: COMO SEMPRE O POVÃO VAI TER QUE SUSTENTAR PRIVILEGIADOS!






Paulo Victor Chagas e Ivan Richar Esposito, da Agência Brasil - O presidente Michel Temer defendeu a adoção de uma idade mínima para que a aposentadoria continue a ser paga aos trabalhadores nesta e nas próximas gerações.
Em um discurso firme sobre a necessidade de se fazer uma reforma ampla, Temer disse a senadores e deputados que a reforma da Previdência a ser encaminhada amanhã (5) ao Congresso será "amplamente debatida" durante sua tramitação no Legislativo.
"Manter sustentável a Previdência exige induvidosamente uma reforma, sob pena de colocar em risco recebimento de aposentadoria, pensões e demais benefícios previdenciários desta e das próximas gerações. Temos longa experiência no Parlamento e sempre fizemos pequenas reformas. Chega de pequenas reformas", disse Temer. "É preciso postergar a concessão da aposentadoria. Isso só pode ser feito pelo estabelecimento de uma idade mínima. Se o sistema se mantiver nos parâmetros atuais, a conta não fecha".
Citando exemplos econômicos e políticos para a necessidade das mudanças, Temer disse que a idade média de aposentadoria por tempo de contribuição é hoje de 54 anos. "O segurado permanece mais de 20 anos recebendo e ainda pode deixar pensão para os seus dependentes. Em alguns grupos o tempo de gozo do benefício é superior ao tempo de contribuição", disse.
De acordo com o presidente, as novas regras valerão "integralmente" para os mais jovens, mas haverá uma transição para os trabalhadores com 50 anos ou mais. Temer lembrou também que os que já completaram o tempo de serviço mínimo "não precisam se preocupar", porque não serão atingidos.
Temer e a equipe econômica do governo conduzem neste momento uma reunião com os líderes da base aliada na Câmara e no Senado para apresentar a reforma da Previdência. O texto com a proposta será encaminhado nesta terça-feira (6) ao Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também participa do encontro.
No início da noite, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, vai comandar uma reunião com as centrais sindicais para apresentar a elas o texto. Antes, estava previsto que Temer também presidiria a conversa com os representantes dos trabalhadores, mas de acordo com a assessoria de imprensa do Planalto, há a possibilidade dele participar, mas a condução dos trabalhos será feita por Padilha. No fim de outubro, por meio do porta-voz Alexandre Parola, Temer havia dito que só encaminharia o texto após "diálogo amplo" com a sociedade.